A Tensão da Marca: Quando um Criminoso Veste a Camisa
- CanoaDigital

- 31 de out. de 2025
- 2 min de leitura

A imagem de um indivíduo preso, vestindo uma camiseta de marca pode gerar um impacto significativo e complexo na reputação da marca em questão.
Essa associação involuntária coloca as empresas em uma delicada posição, forçando-as a lidar com a percepção pública e o risco de serem ligadas a atividades criminosas.
Impacto
A associação de uma marca com o crime pode afetar a reputação da marca pela perda de controle narrativo.
A marca perde a capacidade de controlar a mensagem que transmite. A camiseta deixa de ser um item de vestuário e passa a ser um código, uma bandeira ou um uniforme, com um significado imposto pelo contexto criminal.
Estratégias de Resposta da Marca
Diante de uma associação negativa, as marcas podem adotar algumas abordagens como a desassociação pública.
Emitir comunicados repudiando o uso da marca em atividades criminosas. No entanto, em casos como o brasileiro, onde a apropriação é orgânica e territorial, um comunicado pode ter pouco efeito prático. Em algumas situações, a marca pode optar por não reagir (estratégia do silêncio), esperando que a controvérsia diminua naturalmente, minimizando a publicidade negativa.
A foto de um criminoso usando uma camiseta de marca é um evento de alto risco para a reputação. Enquanto em casos isolados a marca pode se recuperar ou até capitalizar a atenção, a apropriação de símbolos por facções criminosas representa um desafio muito mais profundo e perigoso, exigindo uma reavaliação de como a marca é percebida e usada em diferentes contextos sociais.
Operação contra o CV
A megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira (28/10), teve como alvo a capturar chefes do tráfico do Rio e de outros estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV).
Thiago do Nascimento Mendes conhecido como Belão do Quitungo e apontado como um dos braços armados de Doca, foi localizado e preso dentro de uma casa, escondido na Favela da Chatuba, na Penha. Segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça, o traficante tinha em seu nome seis mandados de prisão ligados ao tráfico de drogas, comércio de armas e confrontos com quadrilhas rivais. Segundo a investigação, Belão vinha participando de reuniões estratégicas do CV, organizando a logística e a distribuição de armamentos entre as comunidades da Penha e do Alemão.
Thiago o Belão foi preso usando a camiseta da marca underground carioca: “Thug Nine”.
A marca nasceu em 1999 tendo como principal referência a cultura Hip-Hop dos guetos norte americanos da Costa Oeste. Cidades como Compton, Inglewood e South Central servem como inspiração para o lifestyle da marca.
Ao londo dos anos a Thug Nine foi capaz de criar um movimento único e original na moda do Rio de Janeiro. Se tornando uma das marcas pioneiras no segmento Streetwear nacional.
Caso adidas
No Brasil, especialmente em Salvador (Bahia), o uso de marcas de vestuário por facções criminosas transcendeu a mera preferência de consumo e se transformou em um sistema de codificação e identificação territorial.
O Bonde do Maluco (BDM) adotou a marca internacional adidas fazendo referência à expressão "Tudo 3", um símbolo da facção, através das três listras.



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